domingo, 27 de abril de 2014

Tomando um cabernet – Luiz Alberto C. Filho


Morrer, mas não morrer fisicamente.
Do teu corpo que cheira a vinho e gozo,
Envolto num prazer maravilhoso,
Morrer lá dentro, exausto, lentamente.
Morrer, mas não morrer como se sente
Do triste luto o gosto pesaroso.
Morrer, mas de um cansaço prazeroso,
Sobre teu ser suado e muito quente.
Melhor que esta que morte se afigura,
Que outra vem nos trazer paz e ventura
Após momento altivo e sublimar?
E após este morrer que tudo cura,
E da paixão sentir sua loucura,
Um cabernet contigo vou tomar.

Luiz Alberto C. Filho